

Por Sergio Piola
O Quarto Poder Jovem da TV ABCD, apresentado por Sergio Piola e Bruna Grotti, entrevista nesta terça a jornalista Priscilla Cavalieri do movimento OcupaSampa / AcampaSampa. Entusiasta da manifestação, a estudante de 23 anos contará os bastidores do movimento e a relação da ocupação com a sociedade.
Inspirado na Occupy Wall Street, o Movimento AcampaSampa/OcupaSampa está concentrado desde o dia 15 de outubro de 2011 no Vale Anhangabaú em São Paulo. Lá encontramos vários movimentos que ao mesmo tempo se convergem para um só. Mas qual é o seu objetivo? Qual a razão desse inusitado sincretismo cultural? Quais as reais intenções da manifestação? Para começar, já não se trata apenas de mais uma manifestação, mas sim, de uma ocupação. Considerada "poesia" entre seus seguidores, a ocupação é a leitura que se tem da forma mais impactante de mobilizar as pessoas, pois manifestação é "efêmero" e ocupação é "poesia". Diante dessa realidade, já surge na grande mídia, os primeiros rituais de rotulação contra esse outsider social. O propósito do movimento não se restringe apenas com a legalização de drogas, mas sim com base num debate mais profundo de idéias ao questionar o modelo de ordem mundial. Analises genéricas e sem fundamento ganham volume inversamente proporcional a pesquisa científica da sociedade. Culpa da imprensa que manipula a opinião pública vendendo uma neutralidade disfarçada. Aliás, muito mal disfarçada, convenhamos. Mas voltando a agenda prioritária do Ocupasampa, qual seria exatamente esse modelo de reestruturação da ordem mundial? Para compreendermos, é necessário que inicialmente nos blindemos contra rotulos pejorativos aos integrantes do Ocupa Sampa, como por exemplo: “playboyzinhos, maconheiros e subversivos”. Sabe-se que nenhuma revolução começou pela maioria. O Ocupasampa desenvolve e estimula o debate entre todos os setores da sociedade, por meio de aulas públicas e assembleias. Para eles, a definição de democracia precisa ser reavaliada. É consenso que a democracia representativa falhou, e a sociedade brasileira ao eleger um indivíduo muita das vezes contribui para que o político trabalhe em interesse próprio e não da coletividade. Em linhas gerais, o movimento sugere a troca da Democracia representativa por uma Democracia participativa ou deliberativa, na qual se pretende desenvolver uma rede de democracia participativa direta, local e global. Entretanto, um leque de questões se abre quando se avalia a dimensão real das aplicações, saindo do campo da utopia para partir para um plano de ação. - É possível imaginar um debate público entre cidadãos livres e em condições iguais de participação e tomada de decisões? Desde o dia 15 de outubro, a realidade mostra que sim. O movimento considera que a convivência nova entre os jovens universitários e os excluídos pode ser encarada de forma positiva e necessária. Essa pluralidade é a marca do movimento. O Ocupasampa sugere hoje um mecanismo de controle da sociedade civil sob a administração pública, ou seja, não dependendo do voto. Essa alternativa aparece como resposta ao voto em representantes que só estimularam a corrupção nestes 30 anos da "nova democracia brasileira" pós-Diretas.
O QPJ não só é solidário com a causa do movimento como sintetiza todo esse esforço de luta por justiça social em uma frase:
“A fórmula do sucesso de fato não existe. Mas a do fracasso temos uma infalível: tentar agradar a todos.”
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